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Tink quer posicionar-se como referência no open banking

Beatriz Gimenez, Tink Portugal

A aplicação chegou, durante o verão, através da CGD, a Portugal. A empresa expandiu agora a presença a novas geografias.

A Tink chegou discretamente a Portugal, durante o verão de 2019, através de um contrato com a CGD. Em dezembro, instalou-se em Espanha. Beatriz Gimenez é a responsável máxima da subsidiária em Espanha e Portugal. Em entrevista ao SmartpaymentsNews aponta a estratégia, desafios e oportunidades desta plataforma de open banking para o país.

Durante o verão, em parceria com a Caixa Geral de Depósitos a plataforma da Tink foi implementada em Portugal. A empresa ajudou a desenvolver e lançar a DaBox, uma aplicação financeira para smartphones que permite a integração de informação proveniente de várias fontes e, deste modo, facilitar a gestão do dinheiro por parte dos clientes da CGD. Há cerca de um mês, a aplicação foi também disponibilizada para titulares de contas bancárias de outras entidades que podem assim gerir igualmente as suas finanças pessoais.

Em dezembro, foi a vez de se instalar diretamente no mercado, a partir de Espanha. Beatriz Gimenez é a diretora-geral da Tink para Portugal e Espanha.

SmartpaymentsNews – Qual será a estratégia da empresa para o primeiro ano de atividade em Portugal?

Beatriz Gimenez – Consolidar a nossa presença e o compromisso com o mercado português e continuar a gerar mais casos de utilização, o que vai significar continuar a expandir a nossa quota de mercado. O nosso objetivo geral é posicionar-nos como referência no open banking.

Por que decidiram entrar formalmente no mercado lusitano neste momento?

BG – Estamos a expandir-nos para a Europa e hoje a Tink atua em 14 mercados, sendo Portugal um deles. Vemos uma forte procura local pela tecnologia open banking em Portugal, bem como um interesse por serviços financeiros digitais entre os clientes bancários do país.

O nosso objetivo é também ter em breve uma pessoa local responsável pelo mercado português, diz Beatriz Gimenez.

Os escritórios de Portugal são em Espanha, sob a mesma directora-geral. Por que tomaram esta opção? Está nas perspetivas da empresa a autonomização do negócio em Portugal ou a contratação de alguém para liderar o negócio em Portugal?

BG – Atuo como a pessoa responsável pela região Ibéria, mas o nosso objetivo é também ter em breve uma pessoa local responsável pelo mercado português. A presença local, combinada com a responsabilidade regional, é a maneira como estamos organizados, por exemplo, no Benelux e nos países nórdicos.

Quem são os vossos principais parceiros em Portugal?

BG – Podemos apenas indicar a CGD.

Com 90% dos clientes bancários de Portugal abrangidos pela vossa plataforma, como pretendem chegar aos restantes?

BG – É um trabalho contínuo integrar mais bancos à nossa plataforma e,através disto, aumentar o alcance dos clientes bancários em Portugal. No total, a Tink liga-se a mais de 2.500 bancos, que atingem mais de 250 milhões de clientes bancários em toda a Europa.

A vossa plataforma abrange outro tipo de instituições como os bancos digitais?

BG – Sim, a nossa plataforma procura dados de todos os tipos de instituições financeiras, incluindo a Revolut, por exemplo.

Autorização sueca permite atividade em Portugal

A Tink é regulamentada e supervisionada pela Autoridade Sueca de Supervisão Financeira Esta dispensa a autorização do Banco de Portugal? 

BG – A Tink é regulamentada e supervisionada pela Autoridade Sueca de Supervisão Financeira como um fornecedor de serviços de pagamento licenciado para serviços de informações de conta e serviços de iniciação de pagamento.

Sendo um prestador de serviços de pagamento da UE, permite que a Tink também forneça serviços em Portugal. Bancos e outros fornecedores de serviços de pagamento licenciados podem usar a tecnologia da Tink com as suas próprias licenças, mas mesmo outras empresas e programadores, que não são fornecedores de serviços de pagamento licenciados, podem aceder à tecnologia da Tink e usar os serviços de pagamento da Tink.

Os dados financeiros disponíveis na plataforma open banking da Tink só são acessíveis se e na medida em que o utilizador final (ou seja, o cliente do banco que utiliza o serviço) consentir disponibilizar os seus dados.

O que está a mudar com a PSD2

Com a entrada de cada vez mais e mais diversos operadores num mercado tradicionalmente dominado pela banca, quais as vossas sugestões de ação para os incumbentes?

BG – Colocar as necessidades e as exigências dos clientes bancários em primeiro lugar, e ao fazê-lo, oferecer serviços financeiros inteligentes e personalizados.

E para aqueles que, tal como vós, estão a entrar (criar) este novo mercado?

O nosso objetivo é permitir que as melhores ideias prosperem. Independentemente de ser uma startup ou um banco, o utilizador deverá capacitar-se ou desenvolver serviços financeiros na nossa plataforma.

O que está concretamente a mudar no mercado dos pagamentos e de outras transações eletrónicas de valores com a entrada em vigor da PSD2?

Basicamente, aumenta o acesso a dados financeiros para clientes bancários.

O que é, na vossa perspetiva, o open banking?

BG – É a mudança em que o mercado de serviços financeiros – como muitas outras indústrias e mercados – passa de fechado para aberto e de analógico para digital. Esta mudança é impulsionada pela procura do utilizador final e pela legislação da UE. Em resumo, significa que praticamente qualquer pessoa – bancos, empresas de tecnologia e startups – tem, agora, a possibilidade de criar novos tipos de produtos e serviços financeiros criativos e fáceis de usar para clientes bancários europeus.

Em matéria de open banking, Portugal está à frente, atrás ou linha com outros países? Porquê? Globalmente, o que é preciso ainda fazer em Portugal, nesta área?

BG – Eu diria que Portugal está alinhado com o resto da Europa. Vemos a nossa parceria com a CGD e o interesse na aplicação Dabox como uma prova disso.

Tink foi criada para melhorar experiência do consumidor

Como nasceu a empresa e quais têm sido as vossas principais fontes de financiamento do negócio até agora? Qual será a estratégia global de crescimento?

Tink PortugalBG – A Tink foi lançada em 2012 com o objetivo de melhorar a tecnologia bancária, pioneira em criar experiências aprimoradas para os clientes e trazer mais clareza financeira.

A Tink possui uma ampla propriedade composta pelos nossos dois fundadores Daniel Kjéllen, CEO, e Fredrik Hedberg, CTO, e pelos principais investidores: Insight Venture Partners, Heartcore Capital, SEB, Creades, Nordea Ventures, ABN AMRO Digital Impact Fund e PayPal.

Quais são a missão, visão e valores da Tink?

BG – O nosso objetivo é fornecer a bancos, fintechs e startups a infraestrutura e produtos de dados de agregação de valor necessários para viabilizar o futuro dos serviços financeiros. Três dos nossos valores são: somos responsáveis, sinceros e desafiadores.

Quais foram os maiores desafios encontrados e conquistas atingidas pela Tink até agora? 

BG -O que consideramos sempre como a nossa principal conquista é a satisfação de permitir que os nossos clientes em toda a Europa desenvolvam serviços financeiros que tragam clareza financeira aos seus utilizadores finais. Outra conquista é que somos uma força motriz no setor de open banking que, desde 2012, levou a transformação do setor em direção a nova legislação (PSD2), que regula o acesso a dados financeiros, fazendo com que o setor passe de um ambiente fechado para um ecossistema. aberto. É claro que isto não vem sem desafios, mas é a beleza de contribuir para a próxima fase desse setor.

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