Congresso

Setor dos pagamentos foca-se na segurança e inovação

Foco na segurança, no cumprimento das regras em vigor, na mobilidade e na cooperação entre operadores novos e recentes são algumas das tendências que o mercado dos pagamentos apontou no Smartpayments Congress, em Lisboa.

O mercado dos pagamentos partilhou as mais recentes inovações desenvolvidas ao longo dos últimos meses durante a 17.ª edição do SmartPayments Congress que decorreu no passado dia 4 de junho, em Lisboa. O foco na segurança e o cumprimento das regras em vigor são prioridades transversais aos vários fabricantes e fornecedores, mas também daqueles que pretendem utilizar as novas soluções nos seus pontos de venda sejam eles físicos ou virtuais.

Cerca de 150 participantes estiveram até ao final do evento que culminou com uma apresentação de tirar o fôlego de David Gyori, CEO da Banking Reports, que apresentou a sua visão sobre a evolução dos pagamentos, as fintech e o momento de disrupção pelo qual o mercado está a passar.

A próxima data relevante para o setor é 14 de setembro, quando a autenticação forte passar a ser uma obrigação legal na relação entre o prestador de serviços de pagamento e os utilizadores, segundo a Directiva PSD2.

Tereza Cavaco, diretora-adjunta do Departamento de Sistemas de Pagamentos do Banco de Portugal

Tereza Cavaco, diretora-adjunta do Departamento de Sistemas de Pagamentos do Banco de Portugal

A abertura dos trabalhos ficou a cargo de Tereza Cavaco, directora-adjunta do Departamento de Sistemas de Pagamentos do Banco de Portugal, que focou a sua apresentação nas oportunidades que surgem com a Directiva PSD2. A responsável abordou “o outro lado da Diretiva”. Além da compliance, dos impactos e dos requisitos impostos, existem “oportunidades que a diretiva traz para todos os intervenientes”, assinalou.

Essas oportunidades passam pela “autenticação forte do cliente”, por “novos serviços de pagamento” e pela “inovação e evoluções tecnológicas”.

Relativamente à autenticação forte do cliente, “as oportunidades estão sobretudo relacionadas com dar mais informação e comunicar melhor ao cliente o que vai acontecer a partir de 14 de setembro de 2019”, explicou a responsável. “O cliente é uma parte interessada e principal neste reforço da segurança nas operações de pagamento”. Tereza Cavaco deu um exemplo: a possibilidade de utilizar, por exemplo, a biometria na autenticação forte, o tema da primeira mesa redonda do dia de trabalho. As soluções de biometria “podem ser mais seguras e mais intuitivas para o cliente e por isso igualmente oportunidades para o setor“.

Do lado dos novos serviços de pagamento as oportunidades estão relacionadas quer com a possibilidade dos incumbentes – os bancos – poderem prestar novos serviços, mas também a oportunidade que existe para o surgimento de novos prestadores.

Finalmente na parte da inovação tecnológica, Tereza Cavaco destacou as oportunidades que surgem com as tecnologias que já conhecemos como a inteligência artificial, a Distributed Ledger Technolgy (DLT) – a tecnologia subjacente ao blockchain – ou a Big Data, apenas para referir três. A responsável desafia o mercado a “passar da teoria à prática” e a “testar, fazer pilotos, parcerias com fintechs, projetos internos”, em suma: avançar.

PSD2: uma corrida de obstáculos

À margem da conferência, Tereza Cavaco assinalou ainda que “a PSD2 é uma corrida de obstáculos”, com “várias datas e vários momentos” nos quais “têm de ser cumpridos determinados requisitos”. Assinala que em Portugal “estamos todos a preparar-nos para cumprir as datas estipuladas. A próxima data relevante é 14 de setembro de 2019 com a autenticação forte e a disponibilização de interfaces de acesso às contas”, estando o Banco de Portugal a trabalhar em conjunto com as autoridades competentes na Europa e no país para corresponder às expectativas.

Sobre a entrada das fintech no mercado financeiro, Tereza Cavaco sublinha que, quando surgiram, as fintech foram um “elemento de disrupção“. Surgiram essencialmente na área do mercado de pagamentos, aquela que “liga todos os clientes bancários ao seu banco”. Inicialmente “foram consideradas uma ameaça, mas sentimos que, hoje, existe uma grande vontade de fazer parcerias e trabalhar em conjunto”, num ambiente de cooperação entre os operadores tradicionais e os novos operadores do mercado, concluiu a responsável à margem do evento da IFE by Abilways.