Tendências

Maiores de 60: pagar com cartão permite melhor controlo do dinheiro

Esta é uma conclusão de um estudo junto de cidadãos com mais de 60 anos, da Ipsos-Apeme, para a Mastercard. 11% estão insatisfeitos com o pagamento em numerário.

Cerca de 19% dos portugueses entre os 60 e 74 anos já fazem compras online, ainda que esporadicamente, revela o estudo “Hábitos e atitudes face à evolução dos meios de pagamento”, elaborado para a Mastercard Portugal pela Ipsos-Apeme.

Perto de 67%, refere o documento, já têm um telemóvel com acesso à Internet, sendo que 25% destes têm instalada a app do seu banco. Além disso, 69% têm computador e 32% dizem ter um tablet, ambos com acesso à Internet.

“O estudo surpreende porque desmonta o mito urbano de que os nossos pais e avós não estão a acompanhar a evolução tecnológica. É certo que ainda existe uma forte relação emocional com o dinheiro (em numerário), mas essa relação tem, sobretudo, uma expressão mais significativa naqueles que residem no interior, mas também nos que têm menos escolaridade”, lê-se no relatório.

Em traços gerais, o estudo revela que já há 11% dos inquiridos entre os 60 e os 74 anos que se sentem insatisfeitos com os pagamentos em numerário, contra 16% dos que afirmam ter maior satisfação. Dos insatisfeitos, 42% dizem que pagar em dinheiro não é cómodo e 28% dizem que pagar com cartão lhes permite ter melhor controlo do seu dinheiro.

Mastercard defende que meio “contactless” é a próxima etapa para idosos

Metade dos portugueses entre os 60 e 74 anos opta por pagar com cartão, conclui o estudo. É o meio preferido pelos inquiridos para pagarem produtos de primeira necessidade, como compras do supermercado e medicamentos.

As pequenas despesas, como o café, o pequeno-almoço, o jornal, são as principais despesas que ainda pagam em numerário, pelo baixo valor. Mas isso acontece porque não há ou não se aceitam outros meios de pagamento, segundo o estudo.

Em relação aos novos meios de pagamento e às principais evoluções ocorridas nos últimos anos, 14% destaca o homebanking, 11% os pagamentos contactless, os pagamentos através do telemóvel e os cartões virtuais para pagamentos online. Quanto às operações realizadas, 45% diz consultar online, de forma regular, ainda que de forma esporádica, o saldo da sua conta bancária.

Dos 32% que veem mais desvantagens num futuro cashless (sem numerário), 27% receiam que o fraco domínio tecnológico seja uma barreira à adoção de novos meios de pagamento. Dos apenas 14% que apontam vantagens nesse futuro, sustentam com o facto de ser mais prático (40%) e mais seguro (37%) que o dinheiro na carteira.

Paulo Raposo, general manager da Mastercard Portugal, salienta que “a grande surpresa nos dados que o estudo nos trouxe, está na perceção que este segmento da população, por princípio mais conservador nos seus hábitos, tem da panóplia de opções de pagamento que tem à sua disposição e, depois, na forma como a está já a usar”.

É expressivo o número de inquiridos que consideram que quem não dominar a tecnologia vai ter dificuldade em gerir o seu dinheiro, mas discordam que “o dinheiro, como o conhecemos hoje, deixará de existir”, Paulo Raposo

É expressivo o número de inquiridos que consideram que quem não dominar a tecnologia vai ter dificuldade em gerir o seu dinheiro, mas discordam que “o dinheiro, como o conhecemos hoje, deixará de existir”, com 43% dos inquiridos a acreditar que, daqui a 10 anos, “tudo será feito via online ou digital”. 47% equaciona mesmo a possibilidade de poder vir a pagar as compras no supermercado encostando os seus telemóveis ou o seus smartwatch.

Paulo Raposo conclui que “este estudo dá-nos boas indicações e revela que é preciso continuarmos a investir em campanhas de sensibilização para as vantagens dos novos meios de pagamento, nomeadamente, em relação ao contactless, que é, sem dúvida, o próximo nível tecnológico do sector dos pagamentos a que este segmento da população mostra uma total abertura e vontade de utilizar”.

Principais conclusões (portugueses entre os 60 e os 74 anos)

  • 11% sente-se insatisfeito a pagar em numerário;
  • 19% já fez compras online, ainda que esporadicamente e 67% já tem um telemóvel com acesso à Internet, sendo que 25% destes tem instalada a app do seu banco
  • A “relação emocional” com o numerário tem uma expressão mais significativa naqueles que residem no interior, mas também nos que têm menor escolaridade;
  • Quando a conta ultrapassa os 20 euros, metade opta por pagar com cartão;
  • Em relação aos novos meios de pagamentos e às principais evoluções ocorridas nos últimos anos, 14% destaca o homebanking, 11% os pagamentos contactless, os pagamentos através do telemóvel e os cartões virtuais para pagamento online. 45% diz consultar online, de forma regular, ainda que esporádica, o saldo da sua conta bancária;
  • 32% veem mais desvantagens num futuro sem numerário. 27% receia que o fraco domínio tecnológico seja uma barreira à adoção de novos meios de pagamento;
  • “Levantar dinheiro” é a operação que mais realizam os portugueses desta faixa etária (92%). Mais de 60% efetua outras operações com cartão de débito.
  • As mulheres anda com menos dinheiro na carteira que os homens;
  • 70% reconhece uma profunda evolução nos meios de pagamento;
  • Uma percentagem elevada considera que quem não dominar a tecnologia terá no futuro dificuldade em gerir o seu dinheiro.