Entrevista

Tornar a experiência de pagamento o mais perfeita possível

Tornar a experiência de pagamento o mais perfeita possível

Tornar a experiência de pagamento o mais perfeita possível

Entrevista a Paula Antunes da Costa, Country Manager da Visa em Portugal

É fidedigno dizer que a maioria dos players do setor dos pagamentos não acreditam que a evolução dos pagamentos elimine, pelo menos no curto prazo, o cash ou o cartão de débito. Mas se tentarmos imaginar o futuro dos meios de pagamento, sobretudo dos físicos, qual será a próxima solução de pagamento a ser amplamente adotada pelos consumidores?
O setor de pagamentos não é estático, é um ecossistema em constante movimento, que tem vindo a mudar e a adaptar-se às novas tendências e soluções. Essa realidade está diretamente relacionada com o facto de serem os próprios consumidores o motor dessas mudanças, dado que as suas necessidades têm vindo a mudar ao longo dos anos. Portugal não é exceção, claro, e tem vindo a revelar-se um excelente exemplo de como a indústria pode mudar quase instantaneamente. Vimos que, desde o início da pandemia, os pagamentos digitais registaram uma taxa de crescimento nunca antes vista e são agora parte integrante do dia a dia dos consumidores. Dados de um recente estudo da Visa sobre a mudança de hábitos de consumo durante a crise da Covid-19, revelaram que 45% dos portugueses entrevistados no estudo já limitaram a utilização de numerário em loja a favor dos pagamentos digitais desde o início da pandemia. Para que isso seja possível, a tecnologia tem sido o principal catalisador para a transformação do setor de pagamentos, permitindo-nos desenvolver e oferecer soluções cada vez mais fáceis e seguras para os consumidores efetuarem pagamentos em loja ou online. Mas esta revolução é um processo contínuo e não há dúvidas de que o futuro nos trará novos avanços que conduzirão a novos avanços na indústria. A Visa tem contribuído ativamente para essa transformação, criando tecnologias de alto nível que impulsionam a inovação. Essas novas ideias e conceitos acabarão por moldar o futuro dos pagamentos, tendo sempre em consideração as necessidades e expectativas do consumidor.

Este ano fica marcado, sobretudo, pela elevada adesão dos portugueses ao contactless. A seguir serão os wearables a ganhar terreno?
Os consumidores atuais procuram formas cada vez mais fáceis e convenientes de efetuar pagamentos. O contactless foi sem dúvida uma das maiores alterações nos hábitos dos consumidores portugueses, com um aumento de 48% nos últimos meses, de acordo com dados recolhidos para o estudo da Visa sobre a mudança de hábitos de consumo. Esta tecnologia, amplamente adotada nos últimos meses, faz agora definitivamente parte do nosso dia a dia, acima de tudo porque é fácil e rápido pagar com contactless. Mas o caminho ainda é longo, com muitas outras tecnologias a serem desenvolvidas e “normalizados” como pagamentos móveis; ter o nosso cartão bancário acessível diretamente nos nossos telemóveis abriu um novo leque de oportunidades.

Ter o nosso cartão bancário acessível diretamente nos nossos telemóveis abriu um novo leque de oportunidades

Os portugueses são frequentemente apontados pelas empresas tecnológicas como early adopters, mas levaram algum tempo a adotar o contactless como solução de pagamento preferencial…A que se devia esta renitência?
Portugal esteve tradicionalmente atrás da maioria dos países da Europa na adoção de pagamentos digitais, em particular no que diz respeito aos pagamentos contactless, até muito recentemente na parte inferior da tabela quando comparado com outros países europeus. A taxa de penetração era de facto bastante baixa, os consumidores preferiram utilizar dinheiro ou pagar com cartões tradicionais, mas era uma questão de tempo até que vissem as diversas vantagens dos contactless e a diferença que pode fazer na hora de efetuar um pagamento. Sem dúvida que o aumento do limite do contactless, para pagamentos sem a necessidade de introduzir um código PIN, teve também um papel fulcral no aumento da utilização deste meio de pagamento. A verdade é que o contactless é agora bem conhecido dos consumidores portugueses, que o utilizam com a mesma confiança com que utilizam qualquer outro meio de pagamento eletrónico. Ainda assim, acreditamos que a tecnologia contactless tem espaço para crescer e esperamos que continue a assumir-se como o método de pagamento favorito dos consumidores no futuro.

Durante a sua intervenção no SmartPayments Congress 2020 falava do potencial das soluções da Visa no campo da mobilidade e da desmaterialização dos pagamentos. A crescente preocupação dos consumidores com os temas da sustentabilidade poderá acelerar a adoção de métodos de pagamentos alternativos e levará ao desaparecimento do cartão? Relativamente à mobilidade, como podem as soluções da Visa tornar a experiência nos transportes públicos melhor para os consumidores?
Em cidades um pouco por todo o mundo, os políticos e urbanistas têm vindo a procurar novas abordagens para tornar os sistemas de transporte mais sustentáveis ​​e logisticamente eficientes. Uma das soluções mais viáveis passa pela instalação de sistemas altamente eficientes de pagamento e cobrança de tarifas, por forma a aumentar o número de passageiros e a viabilidade económica dos sistemas de mobilidade. A título de exemplo, quando os passageiros utilizam cartões de pagamento contactless ou carteiras digitais, podem com um simples toque pagar para abrir um torniquete, embarcar num transporte público, alugar uma bicicleta ou scooter, passar numa portagem ou entrar num estacionamento. Os utilizadores podem ainda planear e pagar deslocações em todo o tipo de meios de transporte com antecedência ou simplesmente utilizar o cartão ou dispositivo para pagar na hora. O sistema permite também rastrear as viagens feitas e debitar automaticamente o valor no final do dia, tendo em conta o limite máximo de pagamento. A Visa implementou já com sucesso esta tecnologia em diversas cidades europeias, como Londres, Madrid, Turim, entre outras, tendo sido adotado o contactless nos sistemas de transporte permitindo a passageiros habituais e turistas viajar sem terem de adquirir um bilhete de transporte físico. Não temos dúvidas de que a mobilidade urbana sustentável será crucial na redução das emissões de carbono e na melhoria da qualidade do ar, e os dados do setor dos pagamentos podem ajudar as operadoras de transporte e urbanistas a entender a forma mais eficaz de investir em opções de transporte mais verdes. Acreditamos que os pagamentos digitais podem desempenhar um papel fundamental no apoio às novas formas de mobilidade e estamos a trabalhar avidamente para sermos parte da solução.

Acreditamos que os pagamentos digitais podem desempenhar um papel fundamental no apoio às novas formas de mobilidade e estamos a trabalhar avidamente para sermos parte da solução

De que forma é que a Visa tem investido em inovação? Qual é a estratégia para os próximos anos neste âmbito?
A inovação é parte do nosso ADN. Costumamos dizer que somos a fintech original. Portanto, não é uma questão de investir em inovação, a inovação está no centro de tudo o que fazemos e das soluções que temos vindo a desenvolver desde a nossa fundação. Esta estratégia é sustentada pelos pilares fundadores de oferecer soluções de pagamento fáceis, rápidas e seguras, aliadas ao nosso trabalho para permitir o comércio global. Na Visa, estamos constantemente em busca das melhores soluções tecnológicas para os nossos clientes, de modo a tornar a experiência de pagamento o mais perfeita possível. Atualmente temos também já soluções baseadas nas mais recentes tecnologias como a Inteligência Artificial ou Machine Learning, para dar alguns exemplos.

Que novidades podemos esperar da Visa este ano?
Anunciamos recentemente a utilização inicial do Visa Cloud Connect, uma nova forma para as fintechs e parceiros se ligarem de forma segurança à VisaNet, a rede global de processamentos da Visa, através da cloud. Atualmente, os programas globais de cartões, presentes em diversos países, exigem investimento em data centers locais usando hardware especializado e infraestrutura de telecomunicações, bem como coordenação com parceiros locais para aderir aos padrões regionais. Este facto pode atrasar novas implementações, com o consequente impacto na adoção por parte do cliente. A nova plataforma Visa Cloud Connect permite uma conexão segura, baseada na cloud, à VisaNet, incluindo uma certificação unificada e estrutura de testes, serviços de segurança da Visa, como a encriptação da transação e gestão do código PIN, e resoluções simplificadas em mercados locais. Recentemente, introduzimos também um conjunto de serviços com base na Inteligência Artificial que permitem lidar com desafios de longa data e pontos problemáticos para bancos, comerciantes e consumidores, ao qual chamamos VisaNet + AI. Estes serviços incluem diversos conceitos inovadores, incluindo o Visa Smarter Posting e Visa Smarter Settlement Forecast, ambos criados para ajudar os parceiros dos nossos clientes e titulares de cartões a obterem insights com base em dados para melhor gerir os negócios e as finanças, especialmente durante o período bastante instável que vivemos atualmente. Este conjunto de serviços, alicerçados na Inteligência Artificial, facilita a gestão de contas dos consumidores e a gestão dos negócios por parte das instituições financeiras.

Introduzimos também um conjunto de serviços com base na Inteligência Artificial que permitem lidar com desafios de longa data e pontos problemáticos para bancos, comerciantes e consumidores, ao qual chamamos VisaNet + AI.