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Portugueses confiam mais na banca tradicional do que nos novos players digitais

Portugueses confiam

Portugueses confiam mais na banca tradicional do que nos novos players digitais

  • Com 20% dos bancos de retalho a planearem aumentar significativamente as despesas com ESG, a sustentabilidade é o próximo critério para uma vantagem competitiva
  • Em Portugal, a confiança nos bancos é elevada (7,2 em 10), indicador que baixa para 6,0 nos players digitais
  • As receitas de retalho e clientes privados deverão crescer mais de 6% ao ano no período 2020-2025, com a Europa a registar um ritmo mais lento, mas ainda com taxas superiores a 5% ao ano

O interesse pela sustentabilidade tem vindo a aumentar, nos últimos anos, e as preocupações com as alterações climáticas tornaram-se motores de decisão para clientes, investidores e decisores políticos. A banca de retalho está a reagir com a integração da sustentabilidade nos seus programas de transformação digital e três quartos planeia aumentar as despesas em iniciativas ambientais, sociais e de governance (ESG), dos quais quase 20% pretende fazê-lo de forma significativa. Os dados são revelados no relatório “Global Retail Banking 2022: Sense and Sustainability”, da Boston Consulting Group (BCG).

O estudo da consultora revela que um quarto dos bancos de retalho acredita que o ESG é uma área de foco primária para a sua transformação digital, e outros 38% afirmam que este é um critério-chave na seleção e priorização de iniciativas de transformação digital. Quase metade dos bancos estão concentrados sobretudo em questões de sustentabilidade ambiental, tais como a redução do consumo de energia nos escritórios, e 60% estão a dar prioridade a questões de governance, como a gestão de incidentes de risco críticos e o desenvolvimento de ciber-resiliência de análises de risco preditivas para assegurar uma melhor preparação e mitigação.

Segundo dados da BCG, uma quota de 20% de produtos relacionados com ESG em novas receitas bancárias de retalho nos próximos cinco anos, por exemplo, resultaria numa quota de cerca de 10% do total das receitas bancárias de retalho – ou cerca de 300 mil milhões de dólares – em 2025.

Um “bom amigo” dos consumidores
O inquérito da BCG de 2021 sobre o sentimento dos consumidores da banca de retalho, que abrangeu 25 países, concluiu que houve um crescimento de 20% no número de pessoas que expressou maior confiança no seu banco durante a crise da Covid-19, em relação ao observado no início da pandemia em 2020. Enquanto a maioria dos clientes afirma ter duas ou três relações bancárias, uma grande maioria (70%) contratou o último produto a partir do seu banco primário. Em Portugal, a confiança nos bancos é elevada, com um resultado de 7,2 numa escala de um a dez, à semelhança de países como Itália, Holanda e Bélgica. Este valor é inferior para bancos digitais, descendo para 6, acima do sentimento dos consumidores em Espanha e Itália (5,7), Grécia (4,9), e Reino Unido (5,8), mas abaixo de países da América latina, como o México (7,3), Brasil (7,2) ou Colômbia (7,0).

No global, os clientes querem que os seus bancos atuem como um “bom amigo” (31%), ao qual possam recorrer para obter um aconselhamento honesto, e como uma “escola” (11%), onde possam obter orientação financeira. No território português, apenas 18% dos inquiridos sente que o seu banco age como um “bom amigo”, um valor acima de Espanha e França (14%) e Grécia (8%), ao passo que 34% dos portugueses gostaria que a relação fosse melhor.

Por fim, a nível global, os clientes confiam ainda mais nos seus bancos do que nos seus médicos, em relação à segurança dos dados pessoais, e quatro em cada cinco clientes estão dispostos a revelar mais dados aos seus bancos se valorizarem um novo serviço ou produto. Também no que respeita aos portugueses, a larga maioria (84%) consente a partilha de dados pessoais com as suas instituições bancárias.

Para Pedro Pereira, managing director e partner da BCG, “os indicadores de confiança dos portugueses na banca de retalho são positivos, ainda que haja muitas oportunidades para melhorar, especialmente no que toca ao valor acrescentado do serviço oferecido pelos bancos. O contacto próximo e o endereçar de preocupações impacto ambiental do banco e da vida pessoal do cliente permitirão aos bancos conquistarem e manterem a sua confiança e, consequentemente, assegurarem a contratação de mais produtos e serviços”.

Tendências fortes da indústria irão financiar o investimento em ESG
De acordo com o relatório, espera-se que as receitas de retalho e clientes privados cresçam mais de 6% ao ano no período 2020-2025. A nível regional, as receitas na Ásia-Pacífico deverão aumentar mais rapidamente, a um ritmo estimado de 7,8% ao ano, seguidas pelo Médio Oriente e África (7,7%) e América Latina (6,9%). A América do Norte e a Europa crescerão mais lentamente, mas ainda a taxas superiores a 5% ao ano. Embora a América do Norte tenha gerado a maior parte das receitas em 2020, está em vias de ser ultrapassada pela Ásia-Pacífico.

Os pagamentos e depósitos serão os principais motores de crescimento das receitas a nível mundial, prevendo-se que os pagamentos cresçam a uma taxa anual de 6,3% à medida que mais pessoas optam por transações online, com cartão de crédito, e outras não monetárias. As receitas dos consumidores e de outros empréstimos deverão recuperar para taxas de crescimento de cerca de 4%, com o aumento das despesas dos clientes a ser impulsionado pelo atenuar da pandemia. Os investimentos crescerão de forma atrativa, a mais de 5% ao ano, enquanto o crescimento das hipotecas será mais ténue à medida que as taxas de juro aumentam.

O banco de retalho sustentável
Os bancos têm muitas oportunidades para inovar em práticas e produtos sustentáveis ao longo do ciclo de vida do cliente e para realizar bons negócios no processo. Uma destas oportunidades é através de empréstimos “verdes”, que oferecem descontos nos juros ou taxas aos compradores e construtores de propriedades energeticamente eficientes. Os bancos podem também utilizar a relação diária com os clientes, bem como as suas capacidades de envolvimento personalizado para os apoiar na adoção de uma vida mais amiga do ambiente e ética. Nos EUA e no Reino Unido, quase nove em cada dez consumidores gostariam que as marcas os ajudassem a tornarem-se mais sustentáveis.