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O valor da transparência na era dos dados

O valor da transparência na era dos dados
Os dados nunca foram tão valiosos para uma empresa como hoje. Na era do digital, além de crescerem em quantidade todos os dias, crescem também em qualidade e em importância na tomada de decisão de qualquer líder.

É por isso que muitas empresas começam agora a olhar para os dados como se de petróleo se tratasse. E se há uns anos poucos eram os que já trabalhavam os dados para deles extrair informação, hoje poucas são as empresas que não contam com um especialista em data na sua equipa.

Foi precisamente para debater a importância dos dados e a forma como as empresas os estão a usar que a IFE by Abilways promoveu mais uma sessão online do ciclo de conferências i-Data Meeting, desta feita com foco no negócio e na oferta disponível no mercado.

O setor financeiro e da banca foi um dos que marcou presença com apresentações de Alberto Lopez, director of Cybersecurity & Intelligence Solutions da Mastercard, e de Andrea Fiorentino, head of Products & Solutions South Europe da Visa, e uma intervenção de Daniel Caçador, data protection officer do Banco Montepio, numa mesa redonda. Transparência foi a ‘palavra de ordem’.

Para Alberto Lopez, director of Cybersecurity & Intelligence Solutions da Mastercard, “a capacidade de gerir dados é cada vez mais importante (…) 90% dos dados que existem hoje foram criados nos últimos dois anos, o que faz com que distinguir os dados que são realmente relevantes seja mais difícil.”

O valor da transparência na era dos dados

De acordo com o estudo The Great Data Exchange – What Businesses and Consumers Value in the Digital Economy, da Mastercard, apresentado por Alberto Lopez durante a sua intervenção, ainda existe uma desconexão em relação ao que as empresas e os consumidores pensam acerca da partilha de dados. 60% dos executivos inquiridos no âmbito deste estudo acreditam que os seus consumidores pensam que o valor que obtêm com a patilha dos seus dados pessoais vale a pena, mas apenas 44% dos consumidores acreditam que vale a pena partilhar os seus dados.

Quando questionados acerca das suas preocupações relativamente à recolha dos seus dados pessoais pelas empresas, 62% dos consumidores mencionaram fraude ou roubo de identidade, 44% estão preocupados com o facto de as empresas poderem sofrer um problema que afete a sua informação pessoal, 41% temem que as empresas partilhem os seus dados com outras entidades e 25% temem que a sua localização seja rastreada.

Há ainda uma diferença de opiniões relativamente aquilo que as empresas pensam que são os benefícios da partilha de dados que os consumidores mais valorizam e aquilo que os consumidores realmente valorizam: 22% dos consumidores esperam receber recompensas de fidelização pela partilha dos seus dados, enquanto apenas 5% dos executivos pensam que isso é importante. Por outro lado, 37% dos executivos de empresas acreditam que o que os consumidores querem receber experiências personalizadas e recomendações em troca dos seus dados, mas apenas 10% dos consumidores vê isso como um benefício pela partilha dos seus dados.

“Para melhorar o valor da troca de dados, as empresas devem ter uma compreensão clara das preocupações do consumidor (…) Aprendemos que quando se explica aos consumidores como é que os dados são recolhidos e usados os consumidores confiam mais na empresa”, referiu ainda Alberto Lopez.

Já Andrea Fiorentino, head of Products & Solutions South Europe da Visa, partilhou que para a Visa a data science é “uma forma de garantir que estamos a tomar as melhores decisões enquanto empresa e que estamos simultaneamente a ajudar os nossos parceiros a tomar as melhores decisões”.

De acordo com o orador, com os dados hoje disponíveis é possível saber praticamente tudo sobre os consumidores, providenciando à banca melhores dados para segmentação e personalização de produtos, mas é preciso cuidado na gestão desses dados.

“A tecnologia e os sistemas não possuem ‘compasso moral’ e, por isso, cabe às empresas garantir que os dados dos consumidores estão a ser usados de forma ética”, concluiu.

Já na mesa redonda ‘Como é que as empresas estão a responder à segurança dos dados e indicadores de risco’, moderada por Pedro Vale Gonçalves, especialista em Proteção de Dados, Daniel Caçador, data protection officer do Banco Montepio, afirmou que “o setor bancário é uma área que tem de garantir, acima de tudo, a confiança aos clientes de que todos os seus dados e bens são geridos da forma correta. A gestão de risco é algo que é inerente a uma instituição bancária. A segurança de informação, por outro lado, é algo que já há alguns anos temos como um pilar (…) Temos de ser muito transparentes naquilo que fazemos e na forma como tratamos os dados.”

Por sua vez Elisabete Castela, encarregada da Proteção de Dados do Centro Hospitalar Universitário do Porto, explicou que “no centro hospitalar temos de lidar com a questão da segurança dos dados em meio digital, mas também com o facto de termos muita informação sensível sobre os nossos utentes em suporte de papel (…) Para respeitar o acesso, garantir a confidencialidade e a integridade dos dados temos sofrido um processo evolutivo dos processos clínicos em papel para processos clínicos eletrónicos (…) Dentro daquilo que é a estratégia para o ecossistema da informação da saúde, a SPMS é a entidade que nos apoia e que nos dá as orientações e serviços que nos permitem fazer a gestão e garantir a segurança dos dados de que dispomos.”

“Temos de ser transparentes com os nossos utentes e temos de lhes dar informação de forma a que entendam exatamente que dados é que nos estão a dar, porque é que precisamos daqueles dados e o que fazemos com os dados até porque temos uma população alvo muito heterogénea”, acrescentou ainda Elisabete Castela.

Por fim, Tiago Branco, head of analytics da Galp, referiu que “na Galp a sensibilidade que temos para a proteção dos dados é enorme e é uma questão cultural que se procura incutir nas pessoas. As equipas de cibersegurança da Galp têm sido as que têm sido mais reforçadas com recrutamento ativo nos últimos tempos. Há um cuidado acrescido na informação do negócio e dos clientes.”

“Antes as equipas que trabalhavam dados, e eram sobretudo as equipas de business intelligence, eram equipas fechadas e que estavam associadas às equipas de IT e hoje, cada vez mais, as empresas dão poder aos colaboradores para poder fazer a exploração de informação e isto levanta uma questão de segurança. É preciso sensibilizar para forma como se acede à informação, sobretudo agora com o teletrabalho, e para a informação que podemos manusear”, concluiu.