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IFE e Data Corner lançam Analytics Academy

IFE e Data Corner lançam Analytics Academy

Numa demonstração de agilidade corporativa e com o propósito de contribuir para o desenvolvimento de competências em data science nas organizações portuguesas, a IFE by Abilways acaba de lançar um novo projeto em parceria com a Data Corner, empresa internacional especializada em soluções de análise de dados. Em entrevista ao RH Bizz, Raquel Rebelo, CEO da IFE by Abilways, e Vala A. Rohani, fundador da Data Corner e Chief Data Scientist, contam como nasce a nova ‘Analytics Academy’ e revelam a ambição de formar entre 700 e 1000 pessoas por ano na área dos dados. 

Como nasce a ‘Analytics Academy’? Qual é o objetivo deste projeto?
Raquel Rebelo (RR) – A Analytics Academy é um projeto de âmbito internacional criado pela Data Corner, uma empresa internacional especializada em data analytics, incubada no Instituto Politécnico de Setúbal, que em Portugal será lançado e dinamizado em parceria com a IFE.

Juntando o conhecimento técnico e a expertise da equipa de data scientists e data engineers da Data Corner com o conhecimento e a expertise da IFE na identificação de soluções para dar resposta às necessidades de desenvolvimento de competências dos profissionais e no apoio às equipas corporate de RH no desenvolvimento de competências e na estruturação de planos de upskilling e reskilling das suas equipas, a Analytics Academy apresenta-se ao mercado com o propósito de apoiar as empresas a constituir equipas de data science in-house e com uma proposta de valor diferenciadora porque é suportada numa metodologia de análise do potencial do talento individual na área dos dados.

Acreditamos que a Analytics Academy vai dar um contributo efetivo na qualificação dos profissionais de TI na área dos dados em Portugal.

Vala A. Rohani (VR) – A Analytics Academy é um programa de upskilling criado pela Data Corner para ajudar a força de trabalho das empresas e outros profissionais a melhorar os seus conhecimentos e competências no domínio da análise de dados. É um programa que está alinhado com as prioridades da Comissão Europeia em Desenvolvimento de Carreira e decidimos estabelecer a Analytics Academy Portugal em colaboração com a IFE.

Acreditamos que a Analytics Academy vai dar um contributo efetivo na qualificação dos profissionais de TI na área dos dados em Portugal.” – Raquel Rebelo, CEO da IFE by Abilways

Como é feito esse assessment de competências necessárias, ou já existentes, numa organização?
RR – O assessment dos gaps de competências nas áreas de dados será realizado através do ATU – Analytics Talent Upskilling assessment, uma plataforma web desenvolvida pelos especialistas da Data Corner que irá ajudar as equipas de RH a identificar as competências de dados existentes em cada elemento da equipa e qual o plano de desenvolvimento mais adequado a cada um.

VR – Depois de mais de cinco anos de experiência na condução de formações em data analytics, percebemos que a maioria das empresas que pretendem requalificar a sua equipa enfrentam uma importante questão: que tipo de formação em analytics se encaixa melhor com a minha força de trabalho e com base nas suas competências e conhecimentos?

Para resolver esse problema, criámos um portal de avaliação online – o Analytics Talent Upskilling (ATU). Esta plataforma ajuda as organizações a identificarem o nível de conhecimentos já existe no âmbito dos dados e as competências da sua força de trabalho. Ao mesmo tempo, permite criar um plano de requalificação sistemático e quantitativo para melhorar essas competências, tudo isto alinhado com a estratégia do negócio e os planos de desenvolvimento do departamento de RH.

Que tipo de cursos/workshops vão disponibilizar no âmbito deste projeto? O objetivo passa por criar ‘percursos’ de formação à medida de cada um?
RR – Vamos disponibilizar, nesta primeira fase, formações em formato live training nas áreas de Data Engineering, Data Analysis e Data Science em várias datas e diferentes horários para podermos responder aos planos de desenvolvimento de competências individuais que resultem da aplicação do ATU – Analytics Talent Upskilling assessment às equipas de TI.

VR – Contamos com uma equipa de académicos e formadores experientes nesta área e oferecemos um leque alargado de cursos de análise de dados que vai desde o Data Engineering ao Data Analytics e à Data Science. Além disso, também já desenvolvemos alguns workshops para o desenvolvimento das lideranças e dos decision makers para que estes saibam como transportar a IA e o Data Analytics para os seus negócios.

Quantas pessoas gostavam de formar/requalificar por ano?
RR – No plano de negócios para o primeiro ano da Analytics Academy em Portugal estimamos formar entre 700 e 1000 profissionais nas diferentes áreas.

Contamos com uma equipa de académicos e formadores experientes nesta área e oferecemos um leque alargado de cursos de análise de dados que vai desde o Data Engineering ao Data Analytics e à Data Science.” – Vala A. Rohani, fundador da Data Corner

Estamos todos conscientes de que os dados são o novo petróleo, mas as organizações já perceberam, de facto, como podem tirar partido dos dados? Ainda existe um gap de competências de IT e data analytics nas organizações?
RR – Acho que as empresas já perceberam que ter dados é fundamental, mas a maioria delas ainda não sabe o que fazer com esses dados. E os dados em bruto, como sabem, de nada valem. Existe de facto um gap de competências de data e analytics nas organizações, mas para que exista uma aposta clara no desenvolvimento destas competências nas equipas tem de haver um maior conhecimento e reconhecimento da importância do domínio dos dados numa organização ao nível das direções de topo e de quem decide.

VR – Sim, de facto os dados são o novo petróleo, mas não devemos esquecer que a análise é o seu motor de combustão! Atualmente, enfrentamos um tsunami de dados em muitos setores, desde a indústria às fintechs, à logística, retalho e todos os outros domínios de negócio. No entanto, a questão principal é como transferir esses dados em bruto já existentes para insights acionáveis, ajudando os managers a tomar decisões orientadas por dados.

De acordo com a Gartner, o Data Analytics possui vários estágios de maturidade: Descritivo, Diagnóstico, Preditivo e Prescritivo. No entanto, de acordo com os estudos neste domínio, a maioria das empresas ainda está no nível Descritivo e não consegue tirar o máximo proveito dos dados existentes para gerar insights acionáveis e tomar decisões orientadas por dados. Essa lacuna, causada sobretudo pela escassez de mão-de-obra nesta área, é reportada em várias áreas de negócio.

Existe, de facto, um gap de competências de data e analytics nas organizações, mas para que exista uma aposta clara no desenvolvimento destas competências nas equipas tem de haver um maior conhecimento e reconhecimento da importância do domínio dos dados numa organização ao nível das direções de topo e de quem decide.” – Raquel Rebelo, CEO da IFE by Abilways

De que forma é que a aposta nos dados, e na análise dos dados em particular, pode trazer retorno para as organizações?
RR – Do ponto de vista do negócio os dados são, sem sombra de dúvida, um suporte à tomada de decisão e à definição da estratégia, uma vez que que nos permitem antecipar o futuro.

Os dados são um dos pilares da transformação digital das organizações, que podem tornar-se muito mais eficientes e produtivas se souberem tirar o máximo potencial dos dados, e uma das suas grandes vantagens competitivas ao contribuir para a automatização de processos e tarefas sem valor acrescentado, para o conhecimento mais aprofundado do comportamento do cliente e consequente personalização e melhoria da experiência cliente.

VR – Na Analytics Academy, o nosso foco está na análise aplicada. Acreditamos que todas as teorias e modelos matemáticos por detrás da análise e dos algoritmos de machine learning devem levar a resultados tangíveis nos negócios.

Isso significa que os investimentos em upskilling nas empresas no domínio do Data Analytics devem resultar na melhoria do desempenho dos negócios, detetando gaps, diminuindo os tempos de processamento e melhorando a compreensão das necessidades do mercado. Esta estratégia diferenciadora da Analytics Academy é uma de nossas principais vantagens competitivas.

Os investimentos em upskilling nas empresas no domínio do Data Analytics devem resultar na melhoria do desempenho dos negócios, detetando gaps, diminuindo os tempos de processamento e melhorando a compreensão das necessidades do mercado.” -Vala A. Rohani, fundador da Data Corner

Muitas vezes as empresas já têm talento interno que precisa apenas de ser desenvolvido para assumir novas funções. Com esta ferramenta é possível que os departamentos de RH consigam construir as suas próprias equipas de data, com talento interno? De que forma é que a vossa metodologia pode ajudar neste processo?
RR – Com o ATU – Analytics Talent Upskilling assessment, os departamentos de RH conseguem mapear as competências de dados que têm na sua equipa de TI, ao mesmo tempo que conseguem identificar a função que melhor se adequa ao perfil de cada um, ao analisar o potencial individual de cada elemento da equipa.

Com o ATU, os responsáveis de RH conseguem determinar quantos são os potenciais profissionais de dados numa determinada equipa e determinar quantos profissionais de dados têm de contratar e que competências devem possuir. Ao mesmo tempo, através da identificação dos gaps de competências e com o nosso apoio, conseguem definir um plano de (re)qualificação em analytics personalizado, que pode ser posto em prática num curto espaço de tempo, com efeitos imediatos no negócio.

VR – Exatamente! É por isso que desenvolvemos o ATU como uma plataforma de avaliação de competências de Data Analytics.

No ATU, já prepáramos mais de 200 perguntas de teste de analytics em nove dimensões diferentes validadas por professores universitários e profissionais de dados. Com o primeiro estágio, chamado de pré-avaliação, a força de trabalho interna da empresa será avaliada através da plataforma online ATU para identificar o nível de competências e conhecimentos em analytics já existente e para que se possa perceber os talentos e interesses para as diferentes funções das equipas de análise de dados. Posteriormente, concluiremos o nosso insight entrevistando os principais gestores técnicos e especialistas em RH da empresa-alvo para rever e avaliar os resultados da avaliação e alinhá-los com as estratégias da empresa.

No final, depois de se analisar as ideias e os ganhos das diferentes dimensões mencionadas, fornecemos um ‘roteiro’ de formação estruturado para preencher as lacunas de competências detetadas, alinhando-as com os negócios e com a estratégia de crescimento da empresa. Isto permite criar um plano de upskilling orientado pelos dados e desenvolver uma equipa interna de data science.

Sabemos que muitos empregos vão deixar de existir por força da evolução tecnológica, mas sabemos também que, mais do que nunca, as empresas precisam de investir em data science, data engineering, analytics, etc. O upskilling das equipas é o caminho?
VR – Absolutamente! Todos sabemos que o mundo inteiro está a enfrentar uma enorme escassez de profissionais de dados. Por exemplo, de acordo com o LinkedIn, só nos EUA há uma escassez de 151.717 profissionais de data e o número de empregos em data science aumentou mais de 650 nos últimos anos.

Além disso, de acordo com a Forbes, o mercado do Big Data deverá atingir um valor de mais de 273 mil milhões de dólares até 2023, com cada vez mais empresas a fazerem uso de técnicas de análise para melhorar o seu desempenho comercial, desde a deteção de fraudes até ao diagnóstico médico e à otimização logística.

Em resposta a esta necessidade de mercado, queremos oferecer um programa quantitativo e estruturado de upskilling na Analytics Academy para ajudar os nossos clientes a criar ou desenvolver a sua própria equipa interna de data science.

Acreditamos que o upskilling das equipas existentes e a criação in-house de equipas de data science são a solução.” – Raquel Rebelo, CEO da IFE by Abilways

RR – De facto, muitos serão os empregos que vão deixar de existir, mas o principal e maior desafio que o mercado enfrenta atualmente é o da escassez de profissionais qualificados em funções de big data e analytics, nomeadamente Data Scientists, Data Engineers e Data Analytics. Muitas das vagas disponíveis no mercado não conseguem ser preenchidas e há uma pressão gigante sobre o recrutamento destes perfis, que são constantemente aliciados para mudar, obrigando a uma revisão permanente dos pacotes salarias e de benefícios com vista à retenção destes talentos especializados.

E esta é uma questão que precisa de uma solução para o curto prazo. Temos de encontrar uma solução mais rápida e mais eficiente para as empresas, visto que este problema vai demorar muito mais tempo a ser resolvido se ficarmos à espera dos novos profissionais que ainda estão nas universidades.

Há quem defenda o recurso ao outsourcing. Nós acreditamos que o upskilling das equipas existentes e a criação in-house de equipas de data science são a solução, por ser uma solução mais rápida, que envolve muito menos custos e que ao mesmo tempo permite reter talentos que já dominam o negócio e os processos internos e que não precisam ser ‘aculturados’.