10ª edição do InRetail

Empresas de pagamentos presentes na 10ª edição do InRetail

A comemoração do décimo aniversário do InRetail, o evento de retalho organizado pela IFE by Abilways e a revista Distribuição Hoje, aconteceu nos dias 9 e 10 de novembro e reuniu mais de 200 participantes online. Pela primeira vez, e fruto da pandemia de Covid-19, os debates, apresentações e mesas redondas aconteceram de forma virtual.

Foram 40, os oradores e mais de 100, as empresas que aceitaram o desafio da organização para fazer da 10ª edição do InRetail, um sucesso. A experiência de compra, o papel da inovação no retalho, a sustentabilidade, o BIG Data, o e-commerce e os meios de pagamento foram alguns dos temas que tiveram lugar num dia e meio de apresentações e mesas redondas. Foi criada uma plataforma específica que além de dar acesso a todos os momentos da conferência possibilitou a interação e o networking entre os vários participantes. Ao aceder à sua área individual através de um código, havia um stand virtual das empresas patrocinadoras, era possível aceder a contactos mais directos dos oradores e, segundo dados da organização, o InRetail suscitou mais de 850 interações na área de exposição virtual e a troca de mais de 500 mensagens.

De que forma é que a pandemia tem influenciado o consumo? E como é que o retalho [alimentar e não alimentar] se ajustou às novas necessidades nestes tempos de pandemia que vieram mudar rotinas e transformar o mundo? Para Ricardo Monteiro da Silva, group director da Fjord Trends Lisboa, este acontecimento à escala global “veio alterar a experiência dos consumidores e das empresas” e há que saber gerir a incerteza. “Essa incerteza divide-se em três vertentes: epidemiológica (quando saímos disto?); económica (quanto tempo vai demorar esta recessão?) e humana (como é que todos vamos responder a isto, como é que as pessoas se vão comportar, como é que o mundo vai estar no dia a seguir?)”, acrescentou.

É fundamental garantir métodos de pagamento menos intrusivos” – Rui Fonseca, Mastercard

Oportunidade para o e-commerce
Se é verdade que a pandemia veio roubar muito aos negócios também é inegável o quanto tem sido uma lição de resiliência. Vivemos tempos acelerados em que as empresas tiveram de apressar os investimentos em tecnologia e em soluções à medida dos consumidores. Um dos temas mais em debate no InRetail foi a dualidade entre os canais online e offline. E o futuro passa pelo equilíbrio. “3/4 dos europeus preferem as lojas físicas e mais de metade admitem voltar às mesmas após a pandemia”, afirmou Juan Miguel del Águila, CEO da Kiabi. Também a C&A tem vindo a investir na fusão entre os dois canais. “Duplicámos os acessos ao site e triplicámos as vendas neste canal. Tem sido uma oportunidade de negócio de nos reinventarmos”, destacando os novos clientes que começaram a aproximar-se da marca através do e-commerce.

Gonçalo Lobo Xavier, diretor geral da Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED) foi o moderador de uma mesa redonda dedicada ao retalho alimentar e não alimentar e focou a questão da confiança que é algo muito referido pelos consumidores mais avessos aos pagamentos online. E dentro da área da sustentabilidade, será que o consumidor está disposto a pagar mais por embalagens e produtos mais sustentáveis? Será que o custo acrescido é bem recebido pelos clientes por perceberem o real valor deste esforço?Tenho uma opinião baseada em factos internos: não acho que o consumidor esteja disposto a pagar mais mas entre duas ofertas pelo mesmo preço – uma mais sustentável e outra menos sustentável – ele opta por comprar a mais sustentável”, defendeu Ludovic Reyseet, country manager da Danone. Já Ana Barbosa, sustainability manager da IKEA considera que o consumidor está disposto a fazer a sua parte mas ainda tem dúvidas e “na maioria das vezes, não pode pagar mais”. A oradora confessou a disponibilidade do retalhista em desenvolver a cadeia de valor e democratizar a sustentabilidade.

Segurança e confiança na hora de pagar
Sabemos que o tema dos pagamentos é crítico. Por esse motivo, o segundo dia do InRetail dedicou alguns momentos a esta questão. Naquele que é o mix de experiências online / offline para retailers e consumidores, a Mastercard está preparada para as mudanças que ainda irão acontecer no futuro. “Temos de ser capazes de proporcionar uma boa experiência com segurança, conveniência e controlo, em qualquer lugar, a qualquer momento e de em todas as plataformas que os consumidores escolham para comprar”, referiu Rui Fonseca, director of business development da empresa. O contactless, os postos de self checkout e o investimento em soluções com autenticações fortes para proteção e segurança nas transações foram alguns dos aspetos que o orador destacou. “É fundamental garantir métodos de pagamento menos intrusivos”, referiu.

O ecossistema dos pagamentos está a mudar. Novos métodos de pagamento surgem para melhor satisfazer o cliente e trazer mais rentabilidade ao negócio. Mas… para comerciantes e retalhistas, redução de custos não é tudo. Como se gerem as preferências dos consumidores? “Os clientes valorizam três aspetos nos meios de pagamento: a segurança, a rapidez e o preço”, salientou Dario Coffetti, CEO do Oney Bank. O orador apresentou uma solução que os clientes valorizam: a 3x4x Oney que permite o pagamento de compras através de “um crédito online simples, seguro e rápido. É um produto que está em expansão pela Europa e temos uma equipa de suporte especializada que acompanha o cliente”, sublinhou.

Os clientes valorizam três aspetos nos meios de pagamento: a segurança, a rapidez e o preço”Dario Coffetti, Oney Bank

O InRetail ficou ainda marcado por iniciativas do retalho na área de sustentabilidade e no BIG DATA. Conclui-se ainda que a omnicanalidade é cada vez mais uma tendência. “Os retalhistas têm de estar atentos ao que os consumidores dizem e otimizar a operação. A estratégia deve colocar o consumidor no centro da tomada de decisões: esta é uma estratégia diferenciada, competitiva e relevante”, acrescentou Sebastian Duque, head of Southern Europe da Dunnhumby.

O evento estará de volta no próximo ano e a organização espera que estejam reunidas as condições para que oradores, patrocinadores, expositores e participantes se reencontrem de forma presencial.