big data

Sistemas de pagamento renovam-se

Pagamentos renovam se

O futuro está a bater à porta com os wearables a assumirem-se como a nova moda no campo dos pagamentos.

O dinheiro e os cartões de crédito e débito não vão deixar de existir, mas a verdade é que os sistemas de pagamento começam a evoluir para novas plataformas. Os comerciantes e os principais players do sector tiram partido da tecnologia para passarem a disponibilizar aos seus utilizadores o pagamento através de novas modalidades, nomeadamente, os denominados wearables.

Conforme sublinhou Sandra di Moise, managing director Southern Europe Cards do Barclaycard, durante a sua apresentação na conferência Smartpayments 2016 do IFE, «nos próximos três anos teremos qualquer coisa como 300 milhões de wearables em todo o mundo». Nesse sentido, a banca deverá adaptar-se aos ventos de mudança e é isso mesmo que o Barclays tem feito nos últimos anos.

A mais recente novidade da instituição bancária chama-se bPay, foi apresentada no Reino Unido, «e assenta totalmente em tecnologia wearable». Surge no mercado em forma «de banda para o pulso ou de porta-chaves e permite efetuar pagamentos».

A primeira experiência deste novo serviço aconteceu durante um grande evento em Inglaterra «sendo que os participantes pagavam sempre via wearables, não necessitando andar com dinheiro ou com bilhetes físicos atrás de si», explicou Sandra di Moise.

O serviço está já disponível também para todos os adeptos do Southampton, clube de futebol inglês, e nos transportes da capital. «Neste ultimo caso, deixou de se utilizar dinheiro e foram também dispensados os bilhetes. A viagem é paga via wearables».

A responsável do Barclaycard explicou que os principais utilizadores do bPay são jovens – 42% tem até 37 anos – e homens – «80% são do sexo masculino».

Tendo em conta este cenário, Sandra di Moise acredita que existe aqui «um enorme potencial no mercado e em diferentes áreas» para a tecnologia de wearables. «Transportes, desporto e fitness bem como jovens adolescentes» são apenas alguns dos targets apontados.

O valor dos dados

Mais do que as novas tendências da moda em matéria de pagamentos, João Tedim, partner technology strategist, Microsoft Azure, subiu ao palco do Smartpayments 2016 para falar do valor dos dados e de conceitos como big data e cloud.

No entender deste responsável, estas são áreas determinantes para alterar e, acima de tudo, melhorar a experiência do cliente: «Nos últimos 30 anos acumulámos toneladas de dados e, neste momento, não sabemos o que fazer com eles.» Os conceitos associados à analítica de dados «vieram aqui dar uma ajuda», mas a verdadeira revolução «está na cloud e na possibilidade de esta ficar disponível para todas as empesas».

Desta forma, os dados passam a estar armazenados na nuvem e disponíveis em qualquer momento, por exemplo «via Azure num dos muitos datacenter da Microsoft que disponibilizam capacidade de processamento, software e servidores para armazenamento», lembra João Tedim.

Tudo isto, suportado no conceito “as-a-service” «em que o cliente consome apenas aquilo de que necessita, quando e como necessita». Na realidade, hoje em dia, a tecnologia tornou-se uma commodity «e tudo acaba por ser consumido como um serviço».

O conceito big data via cloud permite, por exemplo, disponibilizar a oferta Skype Translator, «um serviço que faz a tradução em tempo real para vários idiomas, de uma conversa via Skype». Este é, no entender de João Tedim, um bom exemplo da forma como se pode trabalhar e tirar partido do big data em prol das empresas e das pessoas.

E quando se fala em big data e analítica, Daniel Pereira, diretor da MindSEO considera que «não existem formulas mágicas para saber qual a melhor estratégia a seguir».

De qualquer forma, este responsável defende ser importante que as empresas percebam os comportamentos dos seus clientes e atuem em consonância. Por exemplo «fazer perguntas ativas no seu site é uma boa forma de medir graus de satisfação além de que é também bastante económica».

Na sua apresentação durante o Smartpayments 2016, o diretor da MindSEO falou ainda das grandes vantagens da analítica na web: «À parte a identidade, permite saber tudo sobre uma pessoa, nomeadamente em que páginas navegou, o que pesquisou, quanto dinheiro gastou, etc, e a partir daí desenhar um padrão de utilização» para depois avançar com ofertas específicas e serviços que fomentam uma melhor experiência de cliente.

Big data nos pagamentos

De resto, uma eficaz gestão do big data é também considerada uma mais-valia por Gonçalo Santos Lopes. O diretor da Redunicre lembra que «todos os dias a informação que é gerada e não é gerida, é imensa e importa ter isto em atenção» nomeadamente ao nível dos pagamentos.

Uma eficaz gestão neste campo permite ao comerciante «conhecer melhor o seu negócio, o seu tipo de cliente e ajustar a oferta a esses mesmos clientes». A gestão do big data nos pagamentos assegura ainda «um conhecimento mais profundo das tendências de mercado» e vai possibilitar «a criação de oferta segmentada de acordo com as preferências».

Na Redunicre, trabalha-se nesse âmbito, sendo possível saber «onde um dado cartão foi utilizado, como, que tipo de cartão é, entre outras informações», respeitando sempre «as regras da privacidade do utilizador». Contas feitas, o comerciante tem depois a capacidade «de fomentar o seu negócio, criando oferta direcionada e agradando muito mais o cliente».