Open Banking

SIBS acelera fintech em Lisboa

A SIBS está a promover a segunda edição do Payforward Accelerator. Coinscrap, GoFact, e Sstrategy são as fintech em aceleração, que poderão, no futuro, trabalhar direta ou indiretamente com a empresa.

A SIBS está a promover a segunda edição do Payforward Accelerator. O objetivo desta iniciativa é promover a aceleração de startups na área dos pagamentos e fintech em Portugal. Startups que possam ajudar a inovar no contexto das soluções de pagamento ou outras soluções financeiras suportadas em tecnologias de informação, catalisando, deste modo, alguma dessa inovação para o ecossistema que dinamizou, numa espécie de ‘pay it forward’.

No contexto atual, a segunda edição está orientada “para selecionar startups com soluções para empresas e particulares em contexto Open Banking, que possam incorporar o desenvolvimento da plataforma Open Banking API, em implementação pela SIBS, um novo serviço para dar resposta aos desafios resultantes da regulação europeia PSD2 que entrou em vigor este ano”.

Além disto, a SIBS recordou a aposta no “ecossistema das startups com o lançamento do Payforward OpenTrack, um programa de scouting e dinamização contínua de fintech”.

Num futuro, as soluções resultantes poderão ser integradas com a SIBS, através de acordos comerciais, parcerias para abordagem ao mercado ou até mesmo através do investimento da parte da SIBS no capital da entidade escolhida.

Voltando atrás no tempo, a SIBS recorda que foi ela própria, há 30 anos, “uma startup que veio a conseguir impor-se com uma empresa inovadora no setor das fintech”, explica Maria Antónia Saldanha, destaca Maria Antónia Saldanha, diretora de marca e Comunicação da SIBS e diretora do programa SIBS Payforward.

SmartPaymentsnews.com – Antes de nos focarmos na à edição deste ano, quais foram os resultados da primeira edição do Payforward Accelerator?

Maria Antónia Saldanha – Os resultados foram extremamente positivos e superaram as nossas expetativas em várias vertentes. Recebemos mais de uma centena de candidaturas de 31 países, aliás, mais de 85% das candidaturas foram internacionais.

Após sete meses, e a implementação de todas as fases do acelerador, o SIBS Payforward selecionou quatro startups com as quais dinamizou diferentes modelos de colaboração quer na área dos pagamentos, quer na área de gestão de contas bancárias e finanças pessoais, quer na vertente de serviços ligados ao comportamento do cliente.

E como está a correr esta segunda edição?

M.A.S. – Nesta segunda edição, o acelerador do SIBS Payforward recebeu mais de 100 candidaturas de startups de 20 países. É uma nova prova do caráter internacional do projeto e do interesse de startups das mais variadas áreas de atividade em fazer parte do primeiro programa de aceleração na área dos pagamentos e fintech em Portugal.

Do bootcamp do Payforward Accelerator, [que terminou no início de março], foram selecionadas três as startupsCoinscrap, GoFact, e Sstrategy – que [estão a participar] na etapa de aceleração do programa. Com duração de 10 semanas, as startups estão a testar as suas soluções em alinhamento com a plataforma de Open Banking API da SIBS.

Adicionalmente, a SIBS vai analisar o modelo de colaboração, quer a nível nacional quer a nível internacional, com outras quatro startups, cujos projetos estão alinhados com a estratégia da SIBS em vertentes paralelas às iniciativas no âmbito da PSD2.

As startups selecionadas para a aceleração

Coinscrap: tem uma solução que visa o arredondamento das transações para a criação de poupanças;

SStrategy: tem uma solução de criação de serviços de subscrição e de pagamentos recorrentes

GoFact: tem um portal que agrega os módulos de faturação, gestão de despesas e gestão das contas bancárias que às PME possam ter um sistema integrado de gestão financeira.

Na fase de aceleração propriamente dita, o que estão estas três startups a fazer?

M.A.S. – A etapa de aceleração do acelerador do SIBS Payforward teve início no dia 19 de março com a definição exata de cada projeto, respetivo processo com calendário de trabalho e resultados a atingir.

Durante esta fase a Coinscrap, a GoFact e a Sstrategy) estão a testar as suas soluções em alinhamento com a plataforma de Open Banking API da SIBS. Pretende-se, no final desta etapa, avaliar de que forma estes novos serviços podem vir a ser disponibilizados e lançados, num modelo de colaboração com a SIBS. 

Quais são esses modelos de colaboração?

A integração com a SIBS pode materializar-se no estabelecimento de acordos comerciais, parcerias para abordagem ao mercado ou mesmo investimento da parte da SIBS no capital da entidade selecionada.

Estas oportunidades estão em aberto, quer para as três startups cujos serviços foram alvo da etapa de aceleração, quer para outras quatro startups, cujos projetos estão alinhados com a estratégia da SIBS em vertentes paralelas às iniciativas no âmbito da PSD2.

Os modelos a seguir com cada um serão totalmente adaptados e ajustados face o que fizer mais sentido, tendo em conta o serviço e que objetivos são atingidos com a sua implementação.

Porque sentiram necessidade de criar uma aceleradora especificamente vocacionada para as fintech?

M.A.S. – Esta é uma aposta estratégica da SIBS numa ocasião em que o mercado dos sistemas de pagamentos e das fintech é altamente dinâmico e competitivo, e os avanços tecnológicos ao serviço das soluções financeiras e de pagamento se conjugam com um quadro regulatório europeu que promove a interoperabilidade e o aparecimento de novas soluções, como sejam os pagamentos instantâneos.

Para além disso, no ano em que a PSD2 entra em vigor, ainda se torna mais premente dinamizar um ecossistema que permita a cooperação entre operadores incumbentes e novos operadores como as Third Party Providers (TPP) do ecossistema.

A PSD2 é uma oportunidade para a SIBS?

A PSD2 tem uma enorme relevância para o setor onde a SIBS atua e, portanto, a SIBS tem, com esta legislação, mais uma oportunidade de lançar novos serviços e soluções, consolidando o seu papel incontornável em prol da economia digital, enquanto preconiza o objetivo maior da União Europeia, de criar um mercado único de pagamentos na Europa. É exatamente por esta razão que a SIBS dedicou a segunda edição do acelerador à temática do Open Banking API.

Talvez seja importante explicar o que é a plataforma Open Banking API…

M.A.S. – Em Portugal, a SIBS está a trabalhar em conjunto com os principais bancos para disponibilizar uma plataforma “Open Banking API” com múltiplos benefícios. As instituições financeiras podem potenciar serviços de valor acrescentado; novos players podem contribuir para o desenvolvimento destes mesmos serviços e os consumidores passam a beneficiar de serviços com maior conveniência e inovação, com toda a segurança SIBS.

Já é possível avançar quais serão os primeiros serviços disponíveis ou quais serão as entidades integradas no Open Banking API?

M.A.S. – Neste momento ainda é prematuro, porque há muitas opções em aberto. O novo ecossistema de Open Banking API que a SIBS está a desenvolver irá reunir múltiplos benefícios, tanto para os atuais e novos prestadores de serviços, como para os consumidores que usufruem destes novos serviços.

É o caso de instituições financeiras, potenciando serviços de valor acrescentado, como por exemplo uma certificação de morada ou dados de identificação fiscal; de novos prestadores, com o intuito de desenvolverem novos serviços com informação agregada das contas de pagamento de várias instituições financeiras e para os consumidores, com vista a beneficiarem de maior oferta de serviços digitais, quer para acesso a dados das suas contas bancárias, quer para a iniciação de pagamentos, com maior conveniência e toda a segurança SIBS.

Como pode, cada uma das startups selecionadas contribuir para a plataforma Open Banking API?

M.A.S. – A experiência no bootcamp permitiu concluir que aquelas três startups e respetivas soluções fazem “fit” com a estratégia e objetivos da SIBS face à PSD2 e que, poderão tornar-se nos primeiros TPP a integrar a plataforma de Open Banking API da SIBS.

Como está a SIBS a promover a cibersegurança num mundo cada vez mais interoperacional?

M.A.S. – Para dar resposta aos novos desafios de segurança que surgem diariamente, no final do ano passado, a SIBS anunciou o reforço da sua aposta nos seus serviços de deteção de fraude – Paywatch – com capacidades analíticas avançadas e de inteligência artificial, para dar resposta aos novos desafios e oportunidades de mercado de Open Banking API.

A SIBS e a IBM uniram-se numa parceria estratégica para o desenvolvimento de uma solução cognitiva de deteção de fraude em tempo-real, inovadora e única no mercado, agregando o know-how e procedimentos de segurança e antifraude da SIBS com a tecnologia cognitiva de última geração da IBM com base no Watson.

Através desta parceria global com a IBM para o desenvolvimento desta solução end-to-end de monitorização, deteção, interceção e investigação de fraude nos pagamentos, num modelo “as-a-service”, pretende-se ganhar clientes em novos mercados localizados nomeadamente na Europa e em África. Adicionalmente, as duas empresas estão a trabalhar na criação do centro de competências que permitirá concentrar, desenvolver e potenciar recursos com competências para disponibilizar e aperfeiçoar este tipo de serviço nas suas diversas vertentes. Este Centro de Competências ficará operacional no 2º semestre de 2018.

O serviço de segurança cognitivo Paywatch é muito abrangente. Trata-se de uma solução end-to-end de monitorização, prevenção, deteção, interceção e investigação de fraude nos pagamentos, ou qualquer outra transação de processamento.