Entrevista

IfThenPay explica como automatiza processos de negócio

Filipe Moura, IfThenPay, no Congresso da ACEPI

Filipe Moura, da IfThenPay, explicou de que modo pode a automação dos processos de negócio contribuir para o sucesso das empresas no setor das fintech.

A IfThenPay participou no Congresso da ACEPI onde falou sobre automação de processos de negócio (business process automation – BPO). A empresa considerou “o tema adequado”, porque a atividade da empresa está “muito relacionada com tornar automáticas parte das atividades empresariais, onde destacamos a venda online“, disse Filipe Moura, co-CEO e co-fundador da IfThenPay, em entrevista.

A IfThenPay aproveitou a ocasião para explicar que de que modo é que a referência Multibanco é útil nas vendas online (ver caixa). De acordo com Filipe Moura, a reação dos congressistas foi boa, incluindo dos outros oradores e do moderador que “utilizaram o nosso processo de negócio na sua oratória”.

É um exemplo de automação de processos de negócio através do qual um processo relativamente complexo é otimizado ao aliviar o peso das rotinas que passam a ser automaticamente realizados em alguns segundos. Além da automação dos processos de negócio de cada fintech, estas “podem contribuir para a automação de processos de negócio para os seus clientes”, explica Filipe Moura.

A Smartpayments aproveitou o tema para colocar à IfThenPay algumas questões sobre a automação de processos de negócio no âmbito das fintech.

SmartPayments News – Quais são as vantagens e desvantagens dos sistemas de BPA nos negócios das fintech?

Filipe Moura – As vantagens são de estruturar o processo exatamente como se quer, eliminar erros e processar tudo de forma mais rápida, ganhando-se assim uma redução de custos. As desvantagens, sinceramente, não vejo. Connosco, por exemplo, o cliente nem sequer tem investimento, pois só paga uma pequena taxa por cada transação efetuada.

SP – Quais são os desafios dos BPA no mercado das fintech?

FM Os BPA devem ser feitos com um custo competitivo. Nós sentimos que isto é relevante, pois praticamente todos os nossos sistemas são feitos internamente, com um custo mais baixo face ao preço que pagaríamos fora. Tem de se ter noção de que os custos são tanto de desenvolvimento como de manutenção dos processos de automação de negócios. Cada empresa vai ter de perceber se “tem de ir inventar a roda”, ou seja, fazer este processo de raiz. Ou se pode ir “usar a roda de quem já a fez” e apenas pagar uma pequena taxa por cada transação. É importante que o decisor empresarial faça este tipo de equação, para que também a empresa dele tenha custos baixos.

IfThenPay

Equipa de gestão/liderança: Filipe Moura e Nuno Breda, co-CEO e co-fundadores
Fundação: Santa Maria da Feira, outubro 2005
Investimento angariado: não foi necessário
Volume de negócios (2018): € 1.782.372
Volume de negócios (Previsão para 2019): mais de € 2.000.000

SP – Quais são as oportunidades dos BPA no mercado das fintech?

FM Destacamos claramente a Inteligência Artificial. Vai ser o novo oceano azul. Teremos sistemas que pensam por nós, que atuam em nosso nome e que fazem acontecer o que precisamos sem que nós (humanos) gastemos tempo com isso. Vai ser o futuro.

Estamos a ver, daqui a algum tempo, com a Internet das Coisas (IoT), termos um robô doméstico que sabe que são precisos determinados alimentos na habitação, fazendo ele mesmo a encomenda e o pagamento ao supermercado. Os alimentos serão levados até nossas casas por um automóvel autónomo que tem um robô de entrega. O robô doméstico irá atendê-lo, receber os alimentos e colocá-los no frigorífico e na despensa. Depois, o robô doméstico cozinha a refeição!

Nós apenas iremos desfrutar da refeição e dizer ao robô o que queremos para as refeições dos próximos dias! Os humanos vão ganhar tempo, libertando rotinas (como das compras) através de processos de automação.

Se pensarmos bem, vemos que já existem processos, na área alimentar, que estão a evoluir para aqui: encomendamos no smartphone uma refeição e, em menos de uma hora, estamos a recebê-la. Hoje, ainda inclui uma razoável componente de trabalho humano, que está sempre a diminuir.

SP – Que solução têm para dar resposta a esta oportunidade de negócio?

FM Somos uma instituição de pagamentos e atuamos neste mercado. O pagamento de forma automática, em tempo real, sem intervenção humana, apenas machine-to-machine (o chamado M2M), é algo que desejamos atingir no futuro e disponibilizar aos nossos clientes empresariais.

SP – Concorda que a variedade de soluções de pagamentos que existe atualmente no mercado está a revelar-se um desafio, em particular para as grandes organizações a braços com variadíssimas possibilidades de efetuar transações?

FM – Sim, mas digamos a verdade: a referência Multibanco tem a maior fatia nos métodos de pagamento das transações de websites em Portugal destinados ao mercado português. Qualquer website de comércio eletrónico para portugueses, tem de ter, atualmente, a Referência Multibanco. Caso contrário, vende pouco.

Depois, é complementada pelo MBWay e também por Payshop (há quem queira pagar em numerário). Os cartões de crédito, o Paypal, e outros métodos residuais são das últimas opções dos portugueses. As questões do hábito, simplicidade, e segurança da referência Multibanco são determinantes.

SP – O vosso sistema de BPA está vocacionado para a integração dos múltiplos meios e métodos de pagamento com os sistemas de informação das grandes organizações?

FM – Sim, temos como clientes grandes empresas e cotadas em bolsa. E [a nossa solução] integra com os sistemas de informação deles, de forma fácil, simples, e em tempo real. O nosso processo, além das referências Multibanco, também tem MBWay, Payshop, e irá incluir outros métodos que têm alguma utilização em Portugal.

  1. O cliente está numa loja online de um comerciante, faz checkout e escolhe pagar por referência Multibanco;
  2. A loja online do comerciante solicita à IfThenPay uma referência Multibanco (via web services por exemplo);
  3. O cliente recebe a referência no ecrã e no e-mail;
  4. O cliente paga a referência Multibanco numa ATM, que comunica à plataforma da SIBS;
  5. A SIBS comunica com banco do cliente para verificar disponibilidade de saldo;
  6. O Banco debita a conta do cliente;
  7. A SIBS comunica à IfThenPay o sucesso da operação (em real time);
  8. A IfThenPay comunica ao comerciante o sucesso da operação (via callback , web service , e-mail, ou push notification para a app no smartphone);
  9. A loja online do comerciante comunica ao cliente o sucesso da operação (via backoffice , e-mail e/ou SMS);
  10. O Comerciante processa encomenda (se o produto for digital é entregue de imediato);
  11. A loja online do comerciante comunica com software de faturação (via web service);
  12. O software de faturação emite fatura e envia a ao cliente e à Autoridade Tributária (via e-mail e via SAFT);
  13. Tudo isto em dois segundos e cerca de 30 vezes por minuto!

Fonte: IfThenPay