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Pagamento móveis são chave para estabilidade económica

Os serviços de pagamento via telemóvel, segmento a que se tem vindo a chamar “mobile money”, têm o potencial de impulsionar o desenvolvimento macroeconómico e a estabilidade das economias emergentes, podendo mesmo tirar comunidades inteiras da pobreza. É uma das principais conclusões de um estudo da London School of Economics and Political Science (LSE), desenvolvido ao longo dos últimos três anos para analisar a implementação de serviços de pagamento móveis.

O estudo centrou-se na evolução destes serviços oferecidos por bancos e grupos de telecomunicações em economias emergentes, onde o acesso a serviços financeiros tradicionais não chega a grande parte da população. “A histórica perceção de riscos e custos elevados associados à oferta de serviços financeiros a quem está na pobreza significa que muitos bancos não entraram nesses mercados”, explica o professor Saul Estrin, da LSE, que encabeçou a pesquisa com Susanna Khavul (San Jose State University/LSE) e Adeline Pelletier (Goldsmiths/LSE).

“Isto criou a oportunidade para que empresas de telecomunicações oferecessem serviço de dinheiro móvel como alternativa. A nossa pesquisa mostra que os pagamentos móveis podem ajudar a estimular o desenvolvimento económico, ao formalizar transações dentro de estruturas económicas informais, construindo cadeias de registos virtuais das trocas e ajudando a gerar maior confiança entre os utilizadores”, sublinha.

No entanto, os investigadores notam que há limites para o potencial da tecnologia, porque tem sido focada apenas no fornecimento de serviços de pagamentos e crédito. Para assegurar essa inclusão financeira desejada – tanto para indivíduos como empresas – é preciso que possam aceder a contas-poupança e seguros através de “mobile money.” O estudo diz que isto será vital, e a melhor forma de lá chegar é através da colaboração entre os fornecedores de serviços de pagamento móveis e bancos, governos e outros interessados. Será necessária maior regulação para atingir este nível.

“A regulação do dinheiro móvel é complexa porque está na interseção das indústrias da banca e telecomunicações, cada uma com regimes regulatórios muito diferentes”, nota a investigadora Susanna Khavul. “A chave é encontrar um equilíbrio entre proteção do consumidor e inovação financeira – demasiada regulação pode levar a requisitos onerosos que não podem ser cumpridos por boa parte das pessoas anteriormente excluídas do sistema financeiro, e podem restringir o alcance do dinheiro móvel, em especial nas regiões remotas.”

Estas questões foram discutidas na Mobile Money and Financial Development Conference, na LSE, com a participação de académicos, governantes e players da banca e telecoms. Há consenso sobre a necessidade de tomar algumas iniciativas, essencialmente a colaboração entre entidades em vez de concorrência.