Contactless

Nos pagamentos, o cliente é quem mais ordena

No futuro, as diferentes soluções de pagamento, atualmente muito fragmentadas, «serão consolidadas em meios eletrónicos, como wallets, comércio eletrónico ou criptomoedas, entre outros, reduzindo, assim, progressivamente o uso de meios de pagamento físicos», garante Ana Carolina Rios, responsável pela estratégia digital da WiZink.

Caberá ao cliente escolher o meio de pagamento mais adequado a cada contexto da sua vida, mas a tendência, garante a responsável, será para que os consumidores utilizam cada vez mais o pagamento por contactless e outras soluções entretanto potenciadas pela inovação tecnológica.

 

Smartpayments – O futuro dos pagamentos é apenas uma questão de meio?

Ana Carolina Rios – O futuro não está apenas na forma de pagamento, mas na experiência completa de compra, em toda a cadeia de valor. Em cada transação haverá um acompanhamento por serviços associados que ajudarão o consumidor a decidir o melhor artigo, a melhor opção de pagamento, a melhor garantia em pós-venda ou a melhor oferta adicional associada.

 

Consideram que os novos canais e a desmaterialização são um fator competitivo importante na área dos pagamentos?

A.C.R. – Os avanços tecnológicos, os novos requisitos em matéria de regulação, o incremento da competência, a irrupção de novos players como as Fintech ou outras propostas inovadoras, a evolução do comportamento dos consumidores/clientes, e os desafios e oportunidades decorrentes da gestão de dados (propriedade, privacidade, etc.) são alguns dos fatores que vão determinar o futuro das instituições financeiras, que são assim obrigadas a inovar. Isto porque a inovação é crucial, não só para cumprir com a regulação, mas também para gerar novos modelos de negócio que aumentem a competitividade destas instituições.

“O cliente é que vai decidir que meio de pagamento vai utilizar,

em função das suas prioridades e necessidades do momento.”

Em que sentido deverá acontecer essa inovação?

A.C.R. – O contexto conduz a que todos os players estejam cada vez mais orientados para o cliente, melhorando os de processos de pagamento, em termos de segurança, agilidade e consumer experience. O consumidor passa de ser espectador a ser protagonista, pelo que é necessário que as instituições se adaptem para competir com os novos players.

 

Que inovação é expectável e de que forma estão a posicionar-se como inovadores?

A.C.R. – O cliente é que vai decidir que meio de pagamento vai utilizar, em função das suas prioridades e necessidades do momento. Por esta razão, já não falamos apenas em cartões, pois as formas de pagamento do WiZink contemplarão todas as opções de pagamento disponíveis no mercado português. Atualmente, os consumidores utilizam cada vez mais o pagamento por contactless e o comércio eletrónico, que tem vindo a crescer em mais de dois dígitos ano após ano. Os nossos clientes já e pagam através de meios eletrónicos e, além disso, estão cada vez mais habituados a utilizar smartphones, solicitando todos os tipos de serviços para a gestão diária das suas contas. O pagamento por telemóvel é uma evolução natural. Para garantirmos uma melhor experiência ao cliente, já estamos a trabalhar neste serviço, utilizando biometria para autenticação (impressão digital, reconhecimento facial, etc.), bem como outros serviços que ajudam o cliente na gestão das suas finanças pessoais, como simuladores para financiamento de compras, recibos das operações, classificação de despesas, etc., sempre sob a filosofia mobile first e one-click.

 

A inovação seria possível sem recurso às novas tecnologias, ou seja, só com base nos processos?

A.C.R. – As novas tecnologias são determinantes para a personalização da oferta de produtos e serviços. Estas permitem conhecer cliente e as suas necessidades para desenvolver ofertas adequadas. Por exemplo, através da geolocalização, podemos saber se um cliente está a efetuar compras num centro comercial e oferecer fórmulas de descontos e financiamento diferentes.

 

A emergência de novos players financeiros que assentam o modelo de negócio nas novas tecnologias são uma ameaça para a banca tradicional?

A.C.R. – As Fintech são uma oportunidade para que os bancos tradicionais se atualizem no que respeita às novas expetativas e necessidades do cliente, aproximando-se e ajustando a sua oferta de produtos e serviços. Na cadeia de valor do pagamento, a tendência é a especialização, por isso são cruciais – e continuarão a ser – as alianças para oferecer a melhor experiência com a tecnologia líder.