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Fabricantes usam parcerias para chegar aos pagamentos móveis em loja

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As carteiras móveis digitais estão a afirmar-se como uma alternativa cada vez mais credível de pagamento, face a outras opções mais tradicionais. É uma viagem que ainda está a começar, para as empresas que têm apostado neste tipo de opções, mas que já evidencia uma clara mudança de estratégia.

A generalidade das empresas começou por abordar o mercado para liderar sozinha. Hoje a maioria segue outro caminho e aposta tudo nas parcerias. Rivais tornaram-se aliados e quem fica a ganhar é o cliente, que na hora de pagar com o telemóvel tem mais opções de escolha.

A novidade mais recente desta tendência envolve a Samsung e a PayPal. As duas empresas anunciaram que os utilizadores da plataforma de pagamentos móveis Samsung Pay vão passar a poder selecionar o PayPal como opção de pagamento, quando fizerem compras em lojas, online ou em aplicações, usando o serviço que têm pré-instalado no seu smartphone.

Embora continue a não ter a expressão de outras carteiras móveis virtuais, a plataforma da Samsung tem feito o seu caminho para se afirmar como sistema de pagamentos, para quem faz compras usando os smartphones da marca, alargando progressivamente o leque de países onde a opção está disponível.

A plataforma Samsung Pay tira partido da tecnologia NFC, mas também suporta MST (Magnetic Secure Transmission), tecnologia que replica a banda magnética de um cartão físico (como um cartão de débito ou crédito) e que, graças a isso, funciona na generalidade dos pontos de venda que aceitam cartões de pagamento.

Numa primeira fase, a possibilidade de pagar compras via Samsung Pay usando o PayPal fica apenas disponível para utilizadores de smartphones da marca sul-coreana nos Estados Unidos, mas o objetivo é expandir a opção para novos mercados, segundo as marcas, “em breve”.

Caminho idêntico já seguiu a parceria da empresa com a Apple. O serviço já era uma opção disponível para quem fazia compras na App Store dos Estados Unidos. Vai passar a ser também noutros 11 mercados, onde a tecnologia de pagamentos da Apple já está ativa, um grupo que continua a não incluir Portugal.

No último ano, a PayPal tem dado vários passos para aumentar a penetração do seu serviço nos pagamentos em loja, a partir de operações feitas com telemóvel. Ainda em 2016 estabeleceu parcerias com a Visa e a Mastercard, que num primeiro momento também preferiram caminhar sozinhas neste mercado. Em abril deste ano fechou acordo com a Google, tornando-se opção de pagamento para quem usa o Android Pay, tanto em compras feitas nas aplicações, como nos pagamentos em lojas.

Os resultados da estratégia estão à vista. Na nota de imprensa em que anunciava a parceria com a Samsung, a PayPal divulgava que no ano passado processou 102 mil milhões de dólares em pagamentos móveis, resultado de 2 mil milhões de operações.

Um estudo da Boston Retail Partners para os Estados Unidos, um dos mercados com maior nível de utilização de carteiras virtuais móveis a nível mundial, revelava no início deste ano que o Apple Pay era o sistema aceite num maior número de lojas em todo o país, cerca de 36%. O segundo serviço com maior suporte por parte dos lojistas era o PayPal (34%), seguido do Visa Checkout (20%) e do Samsung Pay, que estava em 18% das lojas norte-americanas.